Raízes, desempenho e re-fundação da "Castra Castrorum"

As origens remotas da “Castra Castrorum” remetem-nos para um tempo vivido há mais de meio século, por um grupo de jovens Castrenses que levados para a capital pelo incontornável movimento da diáspora, começaram a sentir em comum, a maldita saudade do berço e que para a sublimarem, decidiram organizar atividades revivalistas, sediadas em Lisboa.
Despertando igual vontade, num conjunto cada vez maior de “Castrenses ausentes” , organizaram-se, ainda que informalmente, e deles relembramos os Encontros de 1971,1972 e especialmente o de 1973 que juntou muitos patrícios idos de cá, na Casa do Alentejo, com outros tantos lá residentes, unidos por abraços de saudade em torno de uma identidade comum.
Passada a turbulência político-social decorrente do 25/4/1974, abriu-se espaço para o retorno á convivialidade sociocultural, baseada no bairrismo comum, tendo em 31/10/1979, o mesmo conjunto de amigos, subscrito um manifesto de vontades, convergentes na criação de uma estrutura, ainda informal, denominada “ Castra Castrorum” - Grupo de Estudo e Defesa do Ambiente, Cultura e Arte do Concelho de Castro Verde
Tal projeto assentava em três pilares basilares:
- É nosso propósito primeiro fazer um levantamento do património artístico e cultural do nosso concelho assim como desencadear um movimento de defesa do meio ambiente e da qualidade de vida das populações, tanto mais ameaçadas quanto se adivinha um agravamento do desequilíbrio ecológico a breve trecho.
- É nosso dever lutar pela conservação e promoção da cultura e arte do nosso Povo, dinamizando-as sem desfalecer.
- É nossa obrigação opormo-nos firmemente a qualquer medida, ação ou omissão que diretamente ou por reflexo, lese o que nos dispomos defender.
E foi dentro desta base programática que embora de um modo aleatório, foram desenvolvendo atividades tendentes a promover o património, as tradições e a cultura popular no seu concelho.
No entanto, depressa concluíram que para progredirem na execução dos seus propósitos e executar os princípios programáticos que defendiam, tornava-se imperioso formalizarem a sua existência com a constituição de uma pessoa coletiva.
Assim, foi criada a “ Castra Castrorum” - Associação de Defesa do Património Natural e Cultural do Concelho de Castro Verde, no dia 13 de Abril de 1981, na cidade de Lisboa e no Décimo Sétimo Cartório Notarial.
Abriram, logo depois, uma sede em Castro Verde que visava propiciar um espaço de convívio dos Castrenses com a etnografia, usos, costumes e memórias, tudo sempre patenteado em exposições periódicas e noutras permanentes, conseguidas através da recolha de alfaias, peças de arte rural, fotografias, artesanato e utensílios diversos que os seus proprietários generosamente ofertavam e constituem, ainda agora, um espólio de considerável interesse.
Também, no âmbito da programação da “Castra Castrorum”, foram geradas atividades marcantes e de assinalável relevo etnomusical, tais como:
- A criação em 12/1979 de um Boletim Informativo que perdurou até 3/1984, contribuindo ativamente para a divulgação da História local e salvaguarda do património imaterial;
- A organização, em 11/3/1984, do Grupo Coral e Etnográfico Feminino “As Camponesas” de Castro Verde;
- Em 2/2/1987, aproveitando o surgimento em Castro Verde de uma “rádio pirata”, foi criado na mesma um programa da sua responsabilidade, para divulgação das tradições, usos e costumes - o “Programa Património” que ainda agora perdura na antena da Rádio Castrense;
- A criação, em 27/3/1987, de uma escola de Cante infantil, “Os Carapinhas” de Castro Verde;
- A constituição, em 7/12/1987, do “ Grupo de Cantares Tradicionais”, cujo propósito era a salvaguarda da tradição vocal local, que à data ainda sobrevivia paralelamente ao Cante Alentejano, mas do mesmo demarcado.
Porque as motivações para a defesa do Património Natural e Cultural do concelho de Castro Verde, não deixaram de perdurar, o grupo de fundadores pioneiro, agora muito reforçado por uma nova equipa de “ativistas”, avançou confiante na razão da causa e no dia 7/7/2025, foi outorgada a escritura pública para refundação da “Castra Castrorum”.
Subsequentemente, no dia 16/7/2025, decorreu uma Assembleia para eleição dos órgãos sociais e logo a seguir, no dia 25, a “Castra Castrorum” fez o seu reaparecimento público com o ato simbólico da “devolução” ao Município, de um fragmento do primitivo “ Padrão de Homenagem à Batalha de Ourique”, peça de relevante interesse histórico, por si recuperada.